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terça-feira, 22 de março de 2011

Menos, menos - Trainspotting


Vi muita coisa nestes tempos em que eu estou longe. Minha cabeça já mudou e já mudou várias vezes. Acho que isso é normal. Vim para a Rússia não para construir um pequeno Brasil aqui. Vim para este lugar para entender melhor a minha vida a partir da perspectiva deles. E acredite, se você tá disposto a isso, você vai descobrir que muita coisa na sua vida não tem sentido algum. Uma delas, que eu descobri foi como aproveitar melhor o meu tempo.

Um dos motivos para não escrever com a mesma frequência foi me afastar da internet o máximo que eu pude. Percebi que eu estava perdendo muito tempo com esse coisinha de mandar scrap, de ver Facebook. Não consigo pensar em como perder tempo jogando fazenda ville, e sei lá quais outros passatempos tem lá. A gente deixa de fazer muita coisa por conta disso. E as vezes deixa de dar valor ao que realmente importa. Quero continuar me comunicando. Mas com o mundo.


Outra coisa é que eu perdia muito tempo com planejamento. Planejar é bom, mas na medida certa. O que eu aprendi, principalmente é trabalhar com os riscos. Se você consegue administrar o risco, quase que consequentemente tudo se torna oportunidade. E as coisas ficam mais leves.

Aprendi a ser menos tímido. Hoje eu consigo conversar, e eu até quero conversar. Eu nunca gostei de gente. Sempre fui bicho do mato, do tipo que dá patada e morde. No último fim de semana me relacionei com várias pessoas, mantendo papo durante horas. Isso é uma evolução e tanto e eu estou bastante realizado.

Aprendi a ser paciente e acreditar no melhor e ser otimista. As coisas vão e acontecem sempre dentro do tempo que elas devem acontecer. Não adianta querer atropelar. É preciso sempre muito trabalho e esforço. Por mais que eu tenha visto que existem caminhos mais fáceis, hoje eu confirmo o que eu pensava: não estou disposto a caminhar por eles. Pois no fim, o que sobra é a sensação de realização e só quem trabalhou duro por isso sabe que sabor isso tem.


Mais do que tudo eu vejo a vida agora de uma forma diferente, e consciente. Antes a necessidade de vencer na vida me parecia algo completamente ordinário. Televisão, casa, carro importando, Iphone, roupa da moda. Sempre dei bolinha azul para essas coisas por intuição.

Hoje eu tenho certeza que eu não quero isso. Eu quero menos, apenas o suficiente para ser feliz. A felicidade esta em coisas tão pequenas que por conta de nossa preocupação em postar no orkut ou dizer para todo mundo que o mundo é seu você acaba se esquecendo que do seu lado tem pessoas que querem viver nesse mundo com você. Mundo, mundo, mundo três vezes e só seu.

E aí meu amigo, as oportunidades passam.

Estes dias eu tenho me sentido cada vez melhor. E eu senti a necessidade de falar sobre isso. Sei que é um post menos divertido. Mas é também bastante necessário. O senso de humor volta na próxima postagem.

Turbinas Ligadas - Operação Bola de Neve


E aí meus besouros? Como que vocês tão? Eu sei que eu to sumidão. É que as coisas andam muito corridas. Não está rolando mais de escrever com a mesma frequência de antes, mas vou fazer aquele processo de sair postando um tanto de coisas. Assim eu já fico com crédito com vocês. Primeiro eu vou falar do fim de semana que foi chupeta demais.

Tudo começou na sexta com altas confusões. Rolou um aniversário de um dos rapazes que trabalham comigo na agência. Aqui é tradição. Junta todo mundo, o expediente acaba mais cedo, e geral vai para a cozinha sapecar vodka e tomar uma cerveja acompanhada de deliciosos petiscos.

Isso é que eu chamo de política motivacional corporativa. Depois é aquela história: os heróis da resistência ligam as turbinas das naves e partem para vôos de alta complexidade. Desta vez, minha nave foi longe, pra lá de plutão.


Depois de dar aquele gás no motor da espaçonave no bilhar russo, partimos para uma saudável brincadeira na madrugada gelada da Rússia. Bolas de neve nas mãos, a ordem era acertar o primeiro bebum desavisado que desse bobeira.

Além disso rolou a tradicional competição de saltos ornamentais. Na neve. Tudo ótimo para a saúde, a menos de 10 graus, não tem coisa melhor do que ficar com a bunda gelada e molhada.
O resultado foi um frião danado no corpo todo.

Se não bastasse isso, antes de chegar em casa, já com um lindo dia surgindo, resolvemos tomar um chá de cevada no café da manhã. O bom aqui é que a maioria dos mercados grandes não fecham nunca. Tem coisa melhor para bebum do que saber que você tem todo este conforto ao alcance das suas mãos?


Paramos e compramos algumas ampolas. Enquanto conversamos do lado de fora, um grupo nos observava. Tenso. O que eu pude pensar foi: bater em bebum é sacanagem. Mas o objetivo da turma nem era esse. Eles viram que nossa conversa era em inglês. Aqui realmente parece que estrangeiro é coisa rara. Eles se aproximaram e começaram a trocar idéia. Foi maneiro! Mais amigos no fim da noitada.

O papo fluiu entre diversos campos. Como só tinha cueca você pode imaginar o que homem conversa. Só besteira.

E no fim das contas o que deu?

Eles pagaram uma rodada de birita pra gente. E eu cheguei em casa e dormi como um anjinho. Deus é brasileiro né não play?

Daqui a poco tem mais!